Não tenha medo — você não será apresentado a uma retrospectiva de quase 40 anos sobre os cadernos da minha vida. Vou pular toda fase escolar… Dos cadernos encapados em plástico quadriculado, até os espirais que ficavam minguados no final do ano de tanto arrancar folhas para trocar bilhetinhos. Minha paixão por cadernos não veio daqueles que nos obrigam a usar — mas daqueles que escolhemos ter.
06 anos e 13 Omni Journals (Bullet Journals + Common Place Books) atrás…
Há quase 06 anos — e com uns 05 meses de atraso — eu descobri que estava grávida. De uma hora para outra eu me vi obrigada a marcar exames, correr em busca de maternidades, comprar coisas, colocar os freelas em dia (já imaginando uns meses “parada” em casa). Não dava mais para resolver as coisas com as minhas listinhas de tarefas espalhadas pela casa em folhas soltas aleatórias. Então eu escolhi um caderninho bonitinho da DAISO Japan que eu tinha me apaixonado meses antes, que cabia bem na minha bolsa e tinha folhas pautadas cor de creme (coisa que adoro) e comecei a anotar tudo, de forma cronológica e sequencial: consultas, listas de compras, afazeres, pensamentos aleatórios, rabiscos angustiados: tudo. Nessa época eu não chamava de Bullet Journal… Eu chamava de “Running Errands” — algo como “Caderno de Afazeres”, exatamente por que era essa a função principal: me ajudar nas coisas que eu deveria fazer no dia a dia.De lá para cá, eu não parei — um caderno foi puxando o outro, algumas práticas evoluíram, algumas metodologias foram testadas e agregadas — outras acabaram descartadas, e eu acabei com uma coisa que eu chamava de “Bullet Journal”, mas que era meio “disforme” dentro da metodologia. Eram caderninhos pra tudo que eu precisasse fazer, um suporte analógico para o que precisava de mais espaço do que a cabeça.
O que mudou?
Veja bem, essa não foi uma paixão que brotou do nada… Eu adoro papelaria e todas as coisas relacionadas desde que me entendo por gente, e até hoje (e especialmente naquela época) vivo cercada de pilhas cadernos que eu achei “lindinhos”, não pude resistir e acabaram aqui em casa. Mas eu não costumava utilizar quase nenhum deles. Quando eu tinha coragem, viravam diários — mas embora eu escreva com certa regularidade, isso nunca foi suficiente para dar conta da fila de cadernos. Eu estava sempre esperando alguma coisa “muito importante” para utilizar os cadernos que tinha… Quem vai querer comprar um lindo caderno, gastar uma graninha a mais para… Colocar lista do supermercado?Bem, eu descobri que EUZINHA iria.
Aquele caderno inicial, começado no final de Setembro de 2013 me deu essa permissão. Eu comecei com um caderninho de R$ 6,90; bonitinho, relativamente baratinho e prático — e tudo mudou. Não estou brincando, não estou exagerando. Embora, por exemplo, eu goste muito de desenhar, eu tenho uma dificuldade tremenda em manter um sketchbook, embora ache lindo os “sketchbook tours” exibidos no YouTube, onde um artista repassa tudo que fez no seu sketchbook mais recente. E eu descobri que a sensação com esse caderninho de anotações mais banais, possui o mesmo efeito: é ver a vida documentada, em retrospectiva, bem diante dos seus olhos. Por conta disso, a primeira mudança se deu no quesito qualidade. Ver que a cada 04 ou 06 meses eu tinha um novo caderno finalizado, que era basicamente a minha vida documentada, fez com que eu preferisse usar cadernos melhores — que aguentassem o baque e o tempo. Perdi o pudor de escolher alguns cadernos mais caros — mesmo sabendo que no futuro eles poderiam ter a lista do supermercado no dia seguinte. Essa semana estou terminando meu 14º Caderno nesses seis anos, o segundo Moleskine — coisa que eu achei que nunca teria coragem de fazer.
E essa foi apenas uma mudança de abordagem — outras vieram por conta de funções importantes que esses cadernos começaram agregar, por exemplo:
Brain Dumping
A atividade de “descarregar as preocupações” foi um dos principais ganhos — se você, assim como eu, é uma pessoa ansiosa que tende a ficar pensando e repensando a mesma coisa como se tivesse dado defeito, essa atividade de descarregar no caderno é um ganho tremendo. Parece que não vai fazer diferença quando você escuta falar de “brain dumping” na primeira vez, mas faz: no momento em que você “solta” tudo no caderno, você imediatamente se sente mais relaxada… Porque sabe que se precisar retomar alguma daquelas ideias e preocupações, elas estarão lá, esperando por você. É como se no fundo você precisasse apenas de alguém para desabafar — e que, melhor de tudo, não aplica nenhum tipo de julgamento no seu desabafo.To Do List (a boa e velha “listinha de afazeres”)
Quando as coisas começam a ficar muito loucas, eu me torno a mulher das listas — faço isso desde o colégio, continuo fazendo até hoje e não imagino que isso vá mudar num futuro próximo (ou distante). Mas há uma diferença considerável em fazê-las num caderno, um sistema cronológico e sequencial, e fazê-las em folhas soltas, quando a confusão mental se torna ingerenciável. A primeira delas: choque de realidade. Depois de 03 a 04 dias escrevendo a mesma tarefa na sequência, das duas uma: ou você assume que a coisa é realmente importante e precisa ser resolvida urgentemente, ou assume que não vai fazer nada e para de ficar repetindo a mesma coisa, dia a após dia.Referências Rápidas
Eu amo sistemas de notas digitais (Evernote e Keep que o digam), adoro seus sistemas de busca mas… Metade de mim ainda é analógica demais e prefere saber que tem algo essencial anotado ao alcance da mão, sem necessidade de assinaturas, acesso a internet, computadores com bateria ou boa capacidade de processamento.A Evolução
O sistema que utilizo atualmente para cada um dos cadernos mudou significativamente nesses anos. Em 2016 eles começaram a agregar características de Bullet Journal, atualmente a parte dessa metodologia está bem mais consistente nos meus cadernos. Além de utilizar para uma série de checklists e acompanhamentos de atividades, rotinas e hábitos. A função mais clara ainda tem sido ser um “pega tudo” — que depois pode acabar sendo passado a limpo nas ferramentas mais adequadas. A meta atual é criar o hábito de, durante o meu planejamento semanal, repassar tudo o que foi anotado durante a semana e acabar arquivando nos locais adequados aquilo que for necessário — contatos, compromissos, listas de compras pro futuro, anotações de estudo, etc.Na próxima semana…
Pela primeira vez eu vou “ressignificar” um caderno — tenho essa agenda Moleskine do Peanuts de 2017 que eu mal utilizei, e não sabia o que fazer com ela (todo ano acabo comprando uma agenda que não vira nada, por motivos que no futuro esclareço) — ela será o próximo Omni Journal. Espero que funcione bem: como a agenda tem mais folhas que um caderno padrão, espero que dure um pouco mais. O Caderno atual (o Moleskine preto do Snoopy no fundo da foto) acabou não durando nem 4 meses dentro da minha metodologia atual (eu gasto muitas páginas blocando diariamente os horários, coisa que eu também vou explicar mais pra frente o quão libertador foi). Veremos como será o resultado nos próximos meses!


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